MANUAL DE SINDICALIZAÇÃO

 

1. Introdução

Desde 1985 que a Internacional das Comunicações desenvolveu diversas actividades com os seus sindicatos filiados sobre a Sindicalização. Com a reestruturação dos Secretariados Profissionais Internacionais surgiu a actual UNI - Union Network International.

A sindicalização tornou-se uma das prioridades, de tal forma que foi objecto de uma resolução especial no último Congresso Mundial, realizado em Montreal, Canadá. Essa resolução, aprovada por unanimidade pelo Congresso, realçava a importância da sindicalização e chamava a atenção para o facto que: "Se torna necessário desenvolver programas de recrutamento e sindicalização dos trabalhadores não sindicalizados a fim de assegurar a viabilidade futura e o reforço de cada Sindicato filiado na Internacional".

Porque é que a sindicalização se tornou numa prioridade?

Em primeiro lugar porque as mudanças radicais que se estão a verificar no nosso sector, tiveram um enorme impacto nos Sindicatos. Por exemplo, a privatização, a desregulamentação, a concorrência, a automação e a subcontratação levaram a uma enorme redução do número de empregados nos operadores tradicionais de telecomunicações. Ao mesmo tempo verificou-se a entrada no mercado de novas Empresas extremamente agressivas, na sua maioria compostas por uma mão de obra não sindicalizada. Paralelamente a esta situação, assistimos ao aparecimento de Empresas multinacionais muitas delas com um comportamento anti sindical que vão criar problemas à maioria dos trabalhadores como nunca antes tínhamos visto no nosso sector.

Em segundo lugar, a própria indústria sofreu uma mudança radical resultante da introdução de novas tecnologias. Como consequência, apareceram novas profissões e novos métodos de trabalho, novos tempos de trabalho, trabalho atípico, etc. Actualmente, as Empresas têm um tipo diferente de trabalhadores: na sua maioria são quadros médios e superiores e técnicos especialistas que normalmente têm um contrato de trabalho individual, não estando assim cobertos pelo habitual contrato colectivo de trabalho. Há também muitas Empresas que usam mão-de-obra subcontratada ou externa.

O conceito de um emprego para toda a vida está a mudar. Os trabalhadores têm agora de enfrentar novas formas de trabalho atípico, como seja o teletrabalho e diferentes tipos de contratos laborais à medida que os empregados adoptam políticas de recursos humanos cada vez mais flexíveis. O maior desafio com que se confrontam os Sindicatos é o de como sindicalizar aqueles trabalhadores.

Nós precisamos de mudar em muitos aspectos. Por exemplo, os Sindicatos que tradicionalmente só sindicalizavam numa única Empresa de telecomunicações - sendo na maioria das vezes um monopólio do Estado - deverão agora sindicalizar em toda a indústria. Isto significa que, se quisermos ser bem sucedidos, teremos de mudar o nosso método de trabalho, as nossas agendas de negociação tradicionais, a nossa organização e as nossas prioridades.

No passado, certamente por razões que o justificavam, concentrámo-nos essencialmente em prestar serviços e negociar para os nossos sócios das Empresas tradicionais. Agora, temos de concentrar-nos em sindicalizar novos trabalhadores em novas Empresas. Desenvolver uma cultura de sindicalização é a chave para o sucesso. Uma cultura de sindicalização pretende também credibilizar, fidelizar e crescer. Estes são os moldes em que podemos continuar a desempenhar um papel activo na defesa dos direitos dos trabalhadores, na melhoria da qualidade de vida desses mesmos trabalhadores e a contribuir para a criação de uma sociedade melhor e mais justa.

Como parte integrante desta mudança teremos de começar por olhar novamente para as expectativas dos trabalhadores. Teremos de provar o nosso mérito a uma nova geração de trabalhadores. Isto significa questionar as crenças adquiridas e a adopção de uma postura mais aberta. Teremos de ouvir este novos trabalhadores para percebermos as suas preocupações e expectativas e para lhe mostrarmos como é que os sindicatos podem ir de encontro às suas necessidades. Apenas desta maneira poderemos ter esperança de os sindicalizarmos. Os Sindicatos têm de reconhecer que a negociação do tradicional contrato colectivo de trabalho não é a única forma de dar resposta aos interesses dos seus sócios. O uso de novos métodos e a disponibilização de novos serviços poderão vir a ser necessários.

Resumindo, se os Sindicatos quiserem continuar a manter a sua influência, continuar a ser fortes e respeitados, terão de modernizar-se. Terão de mudar o modo como trabalham e passar a investir mais na sindicalização tanto em termos de recursos humanos como financeiros.

Não existe um só e único modelo para a sindicalização. Existem obviamente muitas técnicas e formas de sindicalizar. Os resultados dos Seminários organizados pela Internacional de Comunicações têm mostrado que os Sindicatos enfrentam ambientes diferentes em termos económicos, legislativos e culturais, pelo que a sindicalização está directamente dependente daqueles factores particulares.

A Dinamização Sindical tem que ser simultaneamente um compromisso de longo prazo e um trabalho diário. Não podemos contudo esperar resultados de um dia para o outro, mas não nos devemos deixar desencorajar por este facto. A experiência demonstra que a sindicalização é um bom investimento para o futuro. Poderemos ajudar-nos uns aos outros através da cooperação, da troca de experiências e da aprendizagem com os exemplos de sucesso.

A Dinamização Sindical não é só para alguns activistas sindicais. Todos os membros do Sindicato deverão estar empenhados em sindicalizar. Apenas com o esforço e empenhamento colectivo é que os Sindicatos poderão recuperar a sua força, e serem representativos dos trabalhadores. Vamos pois, todos juntos, fazer da sindicalização uma prioridade e pô-la no topo da nossa agenda.