MANUAL DE SINDICALIZAÇÃO

 

6. Usar os instrumentos de gestão de projectos para melhorar a Sindicalização

A eficácia da sindicalização depende de uma aproximação sistemática. As campanhas de sindicalização deverão utilizar os instrumentos de gestão de projectos para as ajudar. Isto inclui:

  1. Definição dos objectivos

  2. Auditorias

  3. Análises sobre as Forças, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças

  4. Definição de estratégias e das tarefas

  5. Distribuição de recursos

  6. Controle e Revisão

1. Definição dos Objectivos

Os objectivos devem ser SMART[1], isto é:

  • Sintéticos  – identificar os alvos;

  • Mensuráveis – quantificar o alvo;

  • Alcançáveis – identificar como é que deve ser feito e por quem;

  • Realistas – dentro do contexto do que é que nós ou outros Sindicatos conseguimos alcançar em circunstancias idênticas;

  • Ter um tempo-limite – define o período de tempo.

2. Auditorias

 

Trata-se unicamente das questões de recolha de informação. Precisaremos de recolher o máximo de informação relevante, por exemplo, informação que possa ter um impacto no sucesso da campanha, e se possível sobre os seguintes aspectos (ver também as secções 3 e 4). 

  • O mapa do local de trabalho e o perfil da mão de obra – idade, sexo, raça, estatuto no emprego, posição, termos e condições de trabalho;

  • Nível de sindicalização  e experiência dos Sindicatos;

  • As questões que se colocam no local de trabalho em torno das quais é possível organizar a sindicalização;

  • Atitude da Administração;

  • Os resultados da Empresa e a situação do sector;

  • Trabalhadores com os quais manter contacto e potenciais organizadores sindicais;

  • Os nossos recursos – pessoal, tempo, finanças, qualificações, necessidades na área da formação, materiais, etc.

3. Análises sobre as Forças, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças

 

Trata-se de uma forma simples de analisar a informação e de nos ajudar a determinar estratégias e tarefas. As forças e as fraquezas  referem-se normalmente a questões internas do Sindicato, enquanto as oportunidades e as ameaças representam usualmente questões externas. Uma vez que tenhamos conseguido  identificar  na auditoria todos os factos relevantes, eles deverão ser classificados em função destas quatro categorias. Isto vai-nos permitir determinar as estratégias construídas nas Forças, a eliminar as Fraquezas, tirar partido das Oportunidades e evitar as Ameaças.

 

O quadro que se segue é um exemplo de como se pode classificar a informação recolhida:

 

         Forças

         Fraquezas

      Oportunidades

          Ameaças

Alguns empregados já se associaram

 Foram definidos os potenciais lideres do local de trabalho

 

Uma boa Secção local do Sindicato

Local de trabalho de difícil acesso

 A maioria dos trabalhadores jovens não são sócios

Está prevista uma importante redução de efectivos

Os salários são baixos

 

 Os trabalhadores só têm 1 ou 2 locais para se reunirem

 Bons contactos com os meios de comunicação locais

Administração hostil

 

 Alta rotatividade de empregados

 

4. Estratégias e Tarefas

Uma parte da eficácia da gestão de um projecto consiste na redução dos objectivos em estratégias e das estratégias em tarefas. Isto permitirá delinear um plano para a campanha.

Por exemplo: 

             Objectivo

                 Estratégia

                   Tarefa

 

 

 

Aumentar o n.º de sócios na Empresa X de 10% para 25% em 4 meses

4 Dinamizadores Sindicais para fazerem, cada um,  15 sócios por mês, a partir do 2º mês

Constituir um Comité de Sindicalização

 

 

Escolher e formar 4 membros para fazerem sindicalização

 

 

Mapa do local de trabalho

 

 

Distribuir os não sócios pelos Dinamizadores Sindicais numa base de “cada igual com seu igual”

 

Melhorar a imagem do Sindicato entre a mão de obra

Organizar uma reunião de sócios fora do local de trabalho

 

 

Identificar os assuntos chave do local de trabalho

 

 

Fazer pósteres e panfletos

 

Promover uma aproximação com a Administração

Organizar uma reunião para pedir mais vantagens

Uma vez completado um plano, será mais fácil percorrer o seu “caminho critico”. Isto é possível através do cálculo de quanto tempo demorará cada tarefa a ser cumprida e qual a ordem em que devem ser desempenhadas. Todas as tarefas serão então encaixadas no período de tempo definido. Será então possível ver quais as datas exactas em que cada uma das tarefas deverá estar completada, no sentido de assegurar que o plano cumpre os objectivos.  Este processo é conhecido como o “caminho critico”.

5. Recursos

Uma vez identificadas todas as tarefas que é preciso realizar, é preciso escolher quem é que as vai realizar. Cada tarefa deverá ser destinada a uma pessoa dentro da equipa, a qual deverá concordar em cumpri-la no espaço de tempo que lhe foi destinado no “caminho critico”. Devemos assegurar-nos de que as tarefas são distribuídas de acordo com as capacidades e energias de cada membro da equipa.  Relativamente a cada pessoa é preciso ter em atenção:

  • O que é que ela precisa para cumprir a tarefa;

  • Quais os obstáculos que podem surgir e como é que eles poderão ser ultrapassados;

  • Algumas necessidades formativas;

  • Como é que os poderemos motivar e ajudar a lidar com os atrasos e retrocessos .

Poderemos então adicionar duas colunas extra à tabela anterior – a pessoa responsável pela execução da tarefa, e a data em que cada uma delas deverá estar cumprida.

6. Controle e Revisão

  •     Será necessário acompanhar o progresso da campanha e confrontá-lo com o plano definido.

  •  Reunir periodicamente toda a equipa é a maneira mais eficaz de fazer o ponto da situação.

  • Poderá ser necessário rever os objectivos, estratégias ou tarefas em função da experiência adquirida.


[1] SMART é a palavra Inglesa que significa INTELIGENTE